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	<title>Professor Robson Lima &#187; Leitura</title>
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		<title>20 LIVROS PARA MORRER ANTES DE LER!</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2016 16:41:17 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Hoje, com a velocidade de uma vida cada vez mais banda larga, a moeda mais valiosa do mundo Ã© o tempo. Temos que tomar muito cuidado como gastamos este tesouro, pois Ã© uma moeda que sÃ³ se gasta, mas nunca mais se recebe. Talvez isso explique a queda no nÃºmero de leitores de Literatura na [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, com a velocidade de uma vida cada vez mais banda larga, a moeda mais valiosa do mundo Ã© o tempo. Temos que tomar muito cuidado como gastamos este tesouro, pois Ã© uma moeda que sÃ³ se gasta, mas nunca mais se recebe.</p>
<p>Talvez isso explique a queda no nÃºmero de leitores de Literatura na Ãºltima dÃ©cada. Qual livro vale o meu tesouro mais precioso? Com quais personagem morrerei pÃ¡gina a pÃ¡gina e viverei feliz para sempre?</p>
<div class="text_exposed_show">
<p>Pensando nisso, quero dividir com meus amigos uma brincadeira publicada pela Revista Bula. Ã‰ claro que Ã© sÃ³ uma brincadeira. HÃ¡ livros nesta relaÃ§Ã£o para os quais eu daria meu temposouro!</p>
<p>Bem, fica a diversÃ£o para vocÃªs!</p>
<p>Um abraÃ§o literÃ¡rio e literal!</p>
<p>Professor Robson Lima</p>
<p><a href="http://www.revistabula.com/6836-20-livros-para-morrer-antes-de-ler/">20 LIVROS PARA MORRER ANTES DE LER!</a></p>
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		<title>Aula de estÃ©tica deveria ser um direito do cidadÃ£o, pelo amor de Erato!</title>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2016 12:44:53 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Leitura]]></category>

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		<description><![CDATA[Compartilho com meus amigos um artigo meu publicado em uma das revistas de Arte e Cultura mais importantes do paÃ­s. Boa leitura a todos! Prof. Robson Lima http://revistacazemek.blogspot.com.br/2016/03/robson-lima-aula-de-estetica-deveria.html &#160;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Compartilho com meus amigos um artigo meu publicado em uma das revistas de Arte e Cultura mais importantes do paÃ­s.</p>
<p>Boa leitura a todos!</p>
<p>Prof. Robson Lima</p>
<p><a href="http://revistacazemek.blogspot.com.br/2016/03/robson-lima-aula-de-estetica-deveria.html">http://revistacazemek.blogspot.com.br/2016/03/robson-lima-aula-de-estetica-deveria.html</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://professorrobson.com.br/wp-content/uploads/2016/05/Erato.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-381" src="http://professorrobson.com.br/wp-content/uploads/2016/05/Erato-300x225.jpg" alt="Erato" width="300" height="225" /></a></p>
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		<title>BELEZA Ã‰ FUNDAMENTAL!</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Apr 2016 15:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Leitura]]></category>

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		<description><![CDATA[Ã‰ estranho como as pessoas insistem em dizer que a beleza nÃ£o importa. Ã‰ claro que importa! NÃ³s sÃ³ nos movemos em direÃ§Ã£o ao que Ã© belo. Desde a antiguidade o belo seduz a humanidade. Agora, resta definir o que Ã© beleza&#8230; AÃ­ a coisa complica. O que Ã© belo para mim pode nÃ£o ser [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ã‰ estranho como as pessoas insistem em dizer que a beleza nÃ£o importa. Ã‰ claro que importa! NÃ³s sÃ³ nos movemos em direÃ§Ã£o ao que Ã© belo. Desde a antiguidade o belo seduz a humanidade.</p>
<p>Agora, resta definir o que Ã© beleza&#8230; AÃ­ a coisa complica. O que Ã© belo para mim pode nÃ£o ser belo para vocÃª.</p>
<p>Geralmente nos apaixonamos pelo que Ã© belo, mas sÃ³ amamos o que Ã© Ãºnico. HÃ¡ diversas belezas para nos apaixonar e nem todas elas precisam ser loiras de olhos azuis ou morenos de olhos verdes. Mas para amarmos precisamos achar algo Ãºnico nessas belezas. Algo que nos &#8220;roube em silÃªncio&#8221;.</p>
<p>HÃ¡ belezas discretas, silenciosas, que precisam ser descobertas nos seus mÃ­nimos detalhes. Isso leva tempo, toques, mÃºsicas, premissas e promessas. Precisamos de atenÃ§Ã£o, doaÃ§Ã£o e o mÃ­nimo de senso estÃ©tico, nÃ£o corrompido pelo exercÃ­cio do Ã³bvio. Com o tempo, notamos que aquele detalhe, aquele &#8220;lance&#8221;, aquele &#8220;quÃª mal definido&#8221; nos PEGOU, &#8220;sem deixar nenhuma pista&#8221;, e tornou-se Ãºnico: o amor.</p>
<p>O problema Ã© que em nosso sÃ©culo nÃ£o hÃ¡ tempo para os detalhes. Nos tornamos Ã³bvios demais e agarramos o primeiro arquÃ©tipo que surge (loira de olhos azuis ou moreno de olhos verdes) e nos apaixonamos. Ã‰ mais cÃ´modo e socialmente mais aceitÃ¡vel.</p>
<p>Geralmente essa paixÃ£o nÃ£o se torna amor&#8230; Amamos o que Ã© Ãºnico. HÃ¡ muitas mulheres loiras de olhos azuis e muitos morenos de olhos verdes. EntÃ£o, nos perdemos entre olhos, cabelos e formas e vamos colecionando pares e montando o nosso guarda-roupas de peles, olhos, cabelos, formas e ares&#8230;</p>
<p>E, como o amor Ã© peÃ§a Ãºnica, nÃ£o combina com coleÃ§Ã£o. DaÃ­ vem o que chamamos: solidÃ£o.</p>
<p>nÃ£o pense<br />
que qualquer rostinho bonito<br />
me conquista<br />
prefiro quem me rouba<br />
em silÃªncio<br />
sem deixar<br />
nenhuma pista</p>
<p>LIMA, Robson. Wintervalo.Â Curitiba/PR. Blanche, 2014, p.42</p>
<p>Para ler alguns poemas do livro basta curtir: f: Â <a href="https://www.facebook.com/wintervalo/">https://www.facebook.com/wintervalo</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um abraÃ§o a todos!</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/4XuQBd4JbTM?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>LIVRO DE POEMAS: WINTERVALO</title>
		<link>http://professorrobson.com.br/2016/04/26/livro-de-poemas-wintervalo/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Apr 2016 15:05:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Leitura]]></category>

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		<description><![CDATA[Na capital mais fria do paÃ­s, Wintervalo transa palavras para acender sentidos, seja para aquecer ou para esquecer. Sejam bem-vindos ao Wintervalo! Quem quiser conhecer um pouco mais sobre os poemas do meu livro Wintervalo, basta acessar a fanpage: www.facebook.com/wintervalo Um grande abraÃ§o e boa leitura! Professor Robson Lima]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na capital mais fria do paÃ­s, Wintervalo transa palavras para acender sentidos, seja para aquecer ou para esquecer.</p>
<p>Sejam bem-vindos ao Wintervalo!</p>
<p>Quem quiser conhecer um pouco mais sobre os poemas do meu livro Wintervalo, basta acessar a fanpage: www.facebook.com/wintervalo</p>
<p>Um grande abraÃ§o e boa leitura!</p>
<p>Professor Robson Lima</p>
<p><a href="http://professorrobson.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Wintervalo.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-322" src="http://professorrobson.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Wintervalo-185x300.jpg" alt="Wintervalo" width="185" height="300" /></a></p>
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		<title>UM MUNDO SEM UMBERTO ECO</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2016 15:43:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Leitura]]></category>

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		<description><![CDATA[Demorei muito para comeÃ§ar a redigir este artigo&#8230; Antes, precisei me acostumar com a ideia de viver em um mundo sem Umberto Eco. Em um mundo sem a sua lucidez impÃ¡vida e sua ironia fina. Umberto Eco nÃ£o era o autor do romance &#8220;O nome da rosa&#8221;. Eco era uma primavera inteira. Ele tambÃ©m nÃ£o [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Demorei muito para comeÃ§ar a redigir este artigo&#8230; Antes, precisei me acostumar com a ideia de viver em um mundo sem Umberto Eco. Em um mundo sem a sua lucidez impÃ¡vida e sua ironia fina.</p>
<p>Umberto Eco nÃ£o era o autor do romance &#8220;O nome da rosa&#8221;. Eco era uma primavera inteira. Ele tambÃ©m nÃ£o foi o autor do romance â€œO PÃªndulo de Foucaultâ€. Eco era todo o movimento pendular, considerando todo o atrito e a gravidade deste movimento. Tampouco era, Umberto, o autor do recÃ©m-lanÃ§ado romance &#8220;O nÃºmero Zero&#8221;. Eco era o prÃ³prio zero fora da curva na linha do tempo e da literatura.</p>
<p>Sua &#8220;Obra aberta&#8221; ao mundo do que nÃ£o se vÃª ou do que se vÃª, mas nÃ£o se quer ver, nos colocava em cheque com nossa consciÃªncia do existir. Sua vida era um &#8220;DiÃ¡rio mÃ­nimo&#8221; cheio de mÃ¡ximas marcantes e instigantes. Um homem que unia &#8220;ApocalÃ­pticos e Integrados&#8221; de forma brilhante e, ao mesmo tempo, inquietante, dessa inquietude que nos quita com a mesmice.</p>
<p>&#8220;A definiÃ§Ã£o de arte&#8221; nunca mais foi a mesma, pois &#8220;A estrutura ausente&#8221; tornou-se viva e presente, revelando &#8220;As formas do conteÃºdo&#8221;. Umberto desmistificou &#8220;Mentiras que parecem verdades&#8221;, assim como &#8220;O super-homem de massa&#8221;.</p>
<p>Como um â€œLector in fÃ¡bula&#8221;, fabuloso, Eco fez &#8220;Uma viagem na irrealidade cotidiana&#8221; provando o improvÃ¡vel e experimentando o que nÃ£o se pode tocar. Em um contra-ataque Ã  mediocridade versou sobre &#8220;O conceito de texto&#8221; como se versasse sobre a &#8220;SemiÃ³tica e a filosofia da linguagem&#8221; que nunca mais foi a mesma.</p>
<p>&#8220;Sobre o espelho e outros ensaios&#8221; Umberto ensaiava sua sinfonia de percepÃ§Ãµes solitÃ¡rias e nos tirava da solidÃ£o do sentido e do existir. Seu olhar sobre a &#8220;Arte e beleza na estÃ©tica medieval&#8221; nÃ£o o impediu de advertir o mundo sobre &#8220;Os limites da interpretaÃ§Ã£o&#8221;, deixando atÃ´nitos tolos que, cegos, tropeÃ§avam em suas prÃ³prias tolices para alÃ©m da margem da leitura.</p>
<p>Com seu olhar sempre lÃºcido lanÃ§ado sobre uma realidade translÃºcida Eco vislumbrou &#8220;O signo de trÃªs&#8221; e, como nada mais coubesse em seu velho diÃ¡rio de mÃ­nimas sempre mÃ¡ximas, Umberto inaugura um &#8220;Segundo diÃ¡rio mÃ­nimo&#8221; como se fosse mÃºsica e mÃºsica de formas, cores, palavras e sons.</p>
<p>O destino de meu artigo sobre um mundo sem Umberto Eco, publicado na internet, em uma rede social, Ã© a minha experiÃªncia sobre a experimentaÃ§Ã£o da ironia fina deste linguista arguto, quando, em uma entrevista dada ao jornal La Stampa, ele afirmou: &#8220;As redes sociais dÃ£o o direito de falar a uma legiÃ£o de idiotas que antes sÃ³ falavam em um bar depois de uma taÃ§a de vinho, sem prejudicar a humanidade. EntÃ£o, eram rapidamente silenciados, mas, agora, tÃªm o mesmo direito de falar que um prÃªmio Nobel. Ã‰ a invasÃ£o dos imbecis&#8221; .</p>
<p>Sim, Eco tinha aversÃ£o Ã  imbecilidade e aos imbecis. Temido, amado e odiado por poetas do mundo inteiro, seu mundo nÃ£o era do reino onde figuram poemas pobres, rimas rasas e autores de orgulho cego que fazem do exercÃ­cio literÃ¡rio uma apologia Ã  mediocridade. Umberto era a voz do supremo, do elevado, do belo, do estÃ©tico, do artÃ­stico e do sublime!</p>
<p>Para Eco a memÃ³ria era a alma do mundo. Um mundo sem memÃ³ria Ã© um mundo sem alma. Certamente, e com toda a calma, Umberto Eco entra para a memÃ³ria do mundo, enchendo de alma o sentido das coisas e as coisas dos sentidos. Vai-se Umberto, fica o eco.</p>
<p>Professor Robson Lima.</p>
<p>SugestÃµes de leitura:<br />
ECO, Umberto. Os limites da InterpretaÃ§Ã£o. 2Âª ed. SÃ£o Paulo Perspectiva, 2004. [1990]<br />
_________. SemiÃ³tica e Filosofia da Linguagem. Lisboa, Instituto Piaget, 2001.<br />
_________. A Estrutura Ausente: IntroduÃ§Ã£o a Pesquisa SemiolÃ³gica. 7Âª ed. SÃ£o Paulo,<br />
Perspectiva, 2003.<br />
_________. DiÃ¡rio MÃ­nimo. SÃ£o Paulo: Difel<br />
_________. ApocalÃ­pticos e Integrados. SÃ£o Paulo: Perspectiva, 1998<br />
_________. Lector in Fabula: a cooperaÃ§Ã£o interpretativa nos textos narrativos. 2Âª<br />
ediÃ§Ã£o. SÃ£o Paulo: Perspectiva, 2004.<br />
_________. Obra Aberta: forma e indeterminaÃ§Ã£o nas poÃ©ticas contemporÃ¢neas. SÃ£o<br />
Paulo: Perspectiva, 2005.<br />
_________. Viagem na Irrealidade Cotidiana. 7Âª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.<br />
_________.A definiÃ§Ã£o da arte. Trad. JosÃ© Mendes Ferreira. Rio de Janeiro: Elfos; Lisboa:<br />
EdiÃ§Ãµes 70, 1968a.<br />
______. As formas do conteÃºdo. Trad. PÃ©rola de Carvalho. SÃ£o Paulo: Perspectiva, 1971.<br />
______. O Nome da Rosa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1983.<br />
_________. O pÃªndulo de Focault. 2Âª ed. Rio de Janeiro: Record, 1989.</p>
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		<title>O GARÃ‡OM DO CAFÃ‰ FILOSÃ“FICO DE LEANDRO KARNAL</title>
		<link>http://professorrobson.com.br/2016/04/19/o-garcom-do-cafe-filosofico-de-leandro-karnal/</link>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2016 15:25:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Leitura]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dia desses eu conheci um senhor, funcionÃ¡rio de uma imponente escola na qual palestrei na cidade de SÃ£o Paulo, que, ouvindo que eu falava sobre Literatura, disse-me, ao final do meu trabalho, que adorava ler. Para dar continuidade Ã  conversa, enquanto esperava o tÃ¡xi, perguntei o que ele gostava de ler. Senti que ele [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia desses eu conheci um senhor, funcionÃ¡rio de uma imponente escola na qual palestrei na cidade de SÃ£o Paulo, que, ouvindo que eu falava sobre Literatura, disse-me, ao final do meu trabalho, que adorava ler. Para dar continuidade Ã  conversa, enquanto esperava o tÃ¡xi, perguntei o que ele gostava de ler. Senti que ele ficou um pouco embaraÃ§ado, pois nÃ£o lhe ocorria um gÃªnero ou um tÃ­tulo especÃ­fico, entÃ£o ele me disse: &#8220;Professor, na verdade, eu gosto mesmo Ã© de ouvir histÃ³rias.â€.</p>
<p>Tentando me redimir do embaraÃ§o no qual, involuntariamente, envolvi o meu interlocutor, comentei que, no inÃ­cio, a literatura era oral e que ouvir histÃ³rias Ã© uma das mais belas formas de se ler. Ouvir histÃ³rias Ã© uma forma de ler saboreando voz, gesto, olhares, expressÃµes e cheiros. Eis que, para minha surpresa, o senhor, MÃ¡ximo era o nome dele, me perguntou: â€œÃ‰ como num cafÃ© filosÃ³fico?â€.</p>
<p>Meio surpreso com a comparaÃ§Ã£o feita, perguntei ao senhor MÃ¡ximo se ele jÃ¡ havia participado de algum cafÃ© filosÃ³fico e ele me respondeu que sim. Uma Ãºnica vez. Ele trabalhou como garÃ§om durante um cafÃ© filosÃ³fico com Leandro Karnal. Perguntei sua impressÃ£o a respeito do evento e ele me respondeu: â€œAdorei as histÃ³rias que aquele homem contavaâ€.</p>
<p>Despedi-me do simpÃ¡tico senhor, e saÃ­ mastigando suas palavras: â€œAdorei as histÃ³rias que aquele homem contavaâ€. JÃ¡ em Curitiba fui procurar vÃ­deos do referido Karnal. NÃ£o para ouvi-lo, mas para tentar identificar o senhor com o qual conversei dentre os garÃ§ons. Enquanto procurava o senhor MÃ¡ximo dentre os funcionÃ¡rios, notei que o pÃºblico do cafÃ© era formado por pessoas elegantes e de todas as idades. TambÃ©m notei que bebiam cafÃ© realmente, afinal era um cafÃ© filosÃ³fico, enquanto ouviam o palestrante que, trabalhando sentado, tinha Ã  sua frente somente alguns papÃ©is e um copo dâ€™Ã¡gua.</p>
<p>Em um mundo cada vez mais dinÃ¢mico e lÃ­quido as pessoas nÃ£o conseguem mais se ouvir nem ouvir o outro. As pessoas sÃ³ falam, postam, curtem, seguem Ã s cegas, fotografam, compartilham, compram likes, tiram selfie, postam â€œinstagraneamenteâ€ os selfies tirados, mas nÃ£o param para ouvir nada. Ouvir requer tempo. A propagaÃ§Ã£o da voz, som que conta, necessita de tempo para chegar ao ouvido da vida que vive. Um tempo que nÃ£o temos mais. A literatura de autoajuda que â€œtanto autoajudavaâ€ as pessoas jÃ¡ nÃ£o autoajuda mais, pois esbarra no detalhe e no entalhe do tempo. As pessoas nÃ£o tÃªm mais tempo nem para se autoajudarem por meio da leitura.</p>
<p>Nunca necessitamos tanto do ouvir quanto hoje. NÃ£o precisamos ir a um terapeuta para falar, mas precisamos, urgentemente, ir a um terapeuta para ouvir. Talvez ouvir seja a terapia do sÃ©culo. Precisamos nos tratar por meio de uma â€œauscutoterapiaâ€ induzida.</p>
<p>Ã‰ aÃ­ que entra em pleno sÃ©culo XXI, com suas maluquices FACEiras, a figura do velho contador de histÃ³rias. Ã‰ isso que Leandro Karnal faz: conta histÃ³rias. Mas Karnal nÃ£o Ã© um contador qualquer. Ele Ã© branco, magro, olhos claros, elegante, professor universitÃ¡rio, portador de uma careca tÃ£o reluzente quanto a sua oratÃ³ria e, coincidentemente, historiador.</p>
<p>O senhor Leandro usa seu conhecimento de HistÃ³ria para contar histÃ³rias. Um bom contador precisa ter repertÃ³rio e precisa se metamorfosear como um Ulisses. Karnal nÃ£o Ã© filÃ³sofo, mas filosofa. NÃ£o Ã© literato nem dramaturgo, mas fala sobre Hamlet e poesia. Ele nÃ£o Ã© terapeuta, mas leva a uma ausculta. E, acima de tudo, falando obviedades que as pessoas nÃ£o tÃªm tempo para ouvir, ler ou sentir, ele conta sobre a vida que as pessoas nÃ£o vivem.</p>
<p>Infelizmente, chegamos a um ponto em que Ã© preciso que alguÃ©m nos conte sobre nÃ³s mesmos, pois jÃ¡ nÃ£o temos tempo para fazer histÃ³ria, muito menos para conta-la aos outros e a nÃ³s mesmos. Karnal encarna o contador de histÃ³rias do sÃ©culo XXI.</p>
<p>Enquanto a plateia, em pleno cafÃ© e entre convivas, silenciosamente goza por pensar que estÃ¡ bebendo do Graal da Literatura, sorvendo o sumo da Filosofia que escorre da boca, nÃ£o de um filÃ³sofo, mas de um historiador, estÃ£o todos, na verdade, fazendo terapia. Uma â€œauscutoterapiaâ€ induzida e travestida de filosofia para ser digerida intelectualmente.</p>
<p>Nos vÃ­deos que assisti, enquanto todos no cafÃ© se achavam eruditos por ouvirem filosofia, enquanto o senhor Karnal se achava a estrela por ouvir risos de aprovaÃ§Ã£o e aplausos, apenas um, dentre todos os presentes, ouvia histÃ³rias e nÃ£o se achava, pois, mesmo com a bandeja na mÃ£o, ele era o MÃ¡ximo.</p>
<p>Professor Robson Lima</p>
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