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LITERATURA OBRA DE ARTE : RESPONSABILIDADE DA ESCOLA!

Matéria publicada revela que a autora Kefera empata com Machado em lista de autores mais lidos.

Não é de hoje que a escola vem apanhando dos “Best Sellers”. O problema é que a escola insiste em adotar para o Ensino Fundamental II livros para agradar ou despertar o “gosto pela leitura” dos alunos, quando o intuito não é ensinar a gostar, mas ensinar a ler! O gosto decorre das múltiplas experiências literárias e das múltiplas formas de ler. Eu preciso, primeiro, aprender a dirigir um carro para, depois, saber se eu gosto de dirigir.

Quando estes alunos vão para o Ensino Médio, muitas vezes iludidos de que a literatura é só prazer, eles se deparam com obras clássicas. Ou seja, o aluno sai da canjinha de galinha para cair, totalmente despreparado, em uma feijoada completa. Resultado: INDIGESTÃO LITERÁRIA!

Parece que há uma total falta de sintonia entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Diria um abismo. Se a escola sabe que no Ensino Médio os livros exigidos são obras de arte, é preciso acostumar os alunos a este tipo de texto desde o sexto ano. Isso, sim, seria um projeto de formação continuada de leitores de textos literários, ano após ano.

Não estou propondo “O Grande Sertão Veredas” de Guimarães Rosa para uma criança do sexto ano, mas há excelentes livros obras de arte como “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry, por exemplo. É preciso elaborar uma lista dourada de obras de arte e estudar com os professores, livro a livro, para que os alunos conheçam este tipo de escrita, do contrário eles só terão condições de ler autoajuda ou entretenimento.

Os alunos podem ler autoajuda e entretenimento sem o auxílio da escola, pois estes livros são autoexplicativos. Agora, literatura obra de arte, não! É preciso um trabalho sistemático, bimestre a bimestre e ano a ano para que o aluno esteja pronto para os famosos “Clássicos” do Ensino Médio.

Não tenho nada contra a literatura de autoajuda ou entretenimento. Elas são divertidas e prazerosas. Acontece que tudo isso pode ser recomendado e lido fora da escola. Alguns podem dizer: a escola precisa se modernizar, trazer para a sala de aula as coisas que os alunos querem ler. Bem, modernizar nem sempre significa inovar e querer não significa saber. Eu posso modernizar um apartamento sem inovar, pois eu não sei como fazer.

Inovação requer coragem, criatividade, ousadia, professores preparados, uma lista áurea de bons livros bimestre a bimestre, ano a ano, um caminho pedagógico/metodológico claro e bem definido. Repare que, na reportagem abaixo, Machado só aparece empatado com a autora Kéfera porque ele geralmente é obrigatório no Ensino Médio, do contrário, Kéfera reinaria solitária no pódio.

Passear pelo Cosme Velho com o “bruxo” Machado de Assis, atravessar a vida com Guimarães Rosa, apesar dos “Sertões” de Euclides da Cunha é algo que leva muito mais do que “Cinco Minutos” de José de Alencar, mas é uma “Paulicéia Desvairada” de Mário de Andrade que nos leva à procura do nosso verdadeiro “Eu” de Augusto dos Anjos. Amém!

Um abraço literário e literal,

Professor Robson Lima

Leia a reportagem clicando no ícone abaixo:

Kéfera empata com Machado em lista de autores, diz pesquisa.